Apendicite Aguda em Idade Pré-Escolar: Que Diferenças?

  • Cláudia Patricia Simões Mendes Arriaga Centro Hospitalar de Leiria
  • Rodolfo Casaleiro Hospital Pediátrico de Coimbra, CHUC
  • Alexandra Luz Centro Hospitalar de Leiria
  • António Cruz Centro Hospitalar de Leiria

Abstract

Introdução: A apendicite aguda em idade pré-escolar pode ser de difícil diagnóstico, pela apresentação clínica inespecífica.

Objetivo: Caracterização clínica, diagnóstica, terapêutica e evolutiva de pré-escolares submetidos a apendicectomia.

Métodos: Estudo retrospetivo, descritivo-correlacional, referente à população pediátrica com diagnóstico de apendicite aguda, durante um período de 5 anos, num hospital nível I. A amostra de estudo (AE) foi constituída por todas as crianças dos dois aos seis anos e a amostra de controlo (AC) por 40 adolescentes.

Resultados: Obtiveram-se 37 crianças na AE, com idade média de 3,9±0,9 anos versus 12,6±1,4 anos na AC. A dor abdominal foi a manifestação clínica constante, na AE mais frequentemente localizada noutro local que não a fossa ilíaca direita (70,2% vs. 32,5% na AC, p<0,001). Os vómitos foram mais frequentes na AE (75,7% vs. 47,5%, p=0,011), assim como a febre (48,6% vs. 15,0%, p=0,001). A AE realizou ecografia e avaliação analítica em maior percentagem que a AC (p=ns). A média da proteína C reativa foi de 62,1±61,8mg/L na AE e de 31,7±46,6mg/L na AC (p=0,024). A demora média até ao diagnóstico foram 18,2±19,1 horas na AE e 3,6±8,7 horas na AC (p<0,001). A anatomia patológica foi confirmatória em 85,3% da AE versus 88,5% da AC (p=ns).

Conclusão: Na idade pré-escolar a dor abdominal teve mais frequentemente localização inespecífica; a febre e os vómitos foram outros sinais clínicos comuns. Estes achados podem dificultar e atrasar o diagnóstico, explicar o maior recurso a exames complementares, assim como o possível aumento de complicações.

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Published
2015-07-08
Section
Case series