Gastroenterite a Shigella na Idade Pediátrica

Authors

  • Ana Cristina Ferreira
  • Maria João Brito
  • Teresa Sardinha
  • Jorge Machado
  • Gonçalo Cordeiro Ferreira
  • Maria Céu Machado

DOI:

https://doi.org/10.25754/pjp.2003.5116

Keywords:

Shigelose, Criança, Complicações, Resistência antibiótica

Abstract

A Shigelose é uma causa importante de morbilidade e mortalidade na idade pediátrica.

Objectivos: Caracterizar a clínica, epidemiologia e alterações laboratoriais da Shigelose numa população infantil da área Amadora-Sintra e identificar factores associados ao aparecimento de complicações.

População e Métodos: Estudo retrospectivo de 1/7/1997 a 30/6/2001. Analisaram-se idade, sexo, raça, condições socio-económicas, contexto epidemiológico, quadro clínico e complicações, exames laboratoriais, terapêutica e medidas preventivas.

Resultados: De um total de 40 crianças, 67% eram do sexo feminino, 64% de raça negra, 70% tinham entre 1-4 anos de idade e 67% más condições socioeconómicas. Em 12 casos (30%) havia história de viagem/contacto com viajantes a países africanos. A clínica caracterizou-se por diarreia (100%) com muco e/ou sangue (60%), alteração do estado geral (85%), desidratação (85%) e febre (83%). Verificaram-se complicações em 11 (28%) crianças: insuficiência renal (7), anemia grave (6), anemia e insuficiência renal por síndrome hemolítico-urémico (5), hipertensão arterial(3), enteropatia grave (6), alterações neurológicas (4), sépsis (2) e morte (1). Identificou--se a espécie em 21 casos (52%): 7 (17 %) dysenteriae, 7 (17%) flexneri, 6 (15%) sonnei e 1 (3%) boydi. As resistências antibióticas foram significativas para o trimetoprim-sulfametoxazol (65%), ampicilina (63%) e amoxicilina-ácido clavulânico (46%). A maioria das crianças (72%) efectuou apenas terapêutica sintomática. A antibioticoterapia foi realizada em 11 (28%) dos doentes e 6 (15%) necessitaram de cuidados intensivos. O contexto epidemiológico foi o único factor com significado estatístico associado às complicações.

Comentário: A elevada percentagem de complicações, o padrão epidemiológico de países em desenvolvimento e a modificação das resistências antibióticas, tornam necessário um maior investimento nas medidas preventivas.

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