O impacto do risco social num internamento pediátrico

  • João Nascimento Serviço Pediatria Médica, H. Maria Pia, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto
  • Inês Ferreira Serviço Pediatria Médica, H. Maria Pia, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto
  • Carla Zilhão Serviço Pediatria Médica, H. Maria Pia, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto
  • Susana Pinto Serviço Pediatria Médica, H. Maria Pia, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e Jovens em Risco, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto
  • Cristiana Ferreira Serviço Social, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto
  • Luísa Caldas Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e Jovens em Risco, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto Serviço Social, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto
  • Margarida Guedes Serviço Pediatria Médica, H. Maria Pia, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto
  • Virgílio Senra Serviço Pediatria Médica, H. Maria Pia, Departamento da Criança e do Adolescente, Centro Hospitalar do Porto

Abstract

Introdução: Os maus tratos a crianças correspondem a qualquer acção ou omissão não acidental, que ameace a sua segurança, dignidade e correcto desenvolvimento biopsicossocial. Pretendeu-se avaliar o seu impacto no internamento de Pediatria.

Metodologia: Estudo retrospectivo dos doentes internados no Serviço de Pediatria de um hospital terciário entre 1/10/10 e 30/09/11, sinalizados ao Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NHACJR). Foi considerada alta clínica o momento em que o doente já não apresentava critérios clínicos para o internamento. Na avaliação do impacto económico foi considerado o valor do custo diário de assistência hospitalar (85,00€) referido no DR 1ªsérie, de Janeiro de 2009.

Resultados: Num total de 1052 internamentos, foi solicitada avaliação ao NHACJR em 4,1% (43) dos episódios. Os lactentes representaram 53,5% das sinalizações. O desemprego verificou-se em 66% dos pais e 37,2% destes tinham completado o 3º ciclo de ensino básico. O modelo de família nuclear foi identificado em 37,2% dos casos. A presença de indicadores de risco social sem evidência aparente de maus tratos ocorreu em 48,8%. A negligência foi identificada em 39,5% das crianças, seguida dos maus tratos físicos com 6,9%. Quatro internamentos foram por motivos exclusivamente sociais, com um tempo médio de internamento de 10,5 dias. Dez crianças com critérios clínicos de internamento vieram a ter adiamento da alta hospitalar por motivos sociais, com um prolongamento médio do tempo de internamento de 33,2 dias. Neste grupo de catorze casos ocorreram seis infecções nosocomiais, um traumatismo crânio-encefálico e o custo adicional estimado de assistência hospitalar foi de 31.790,00€.

Comentários: O impacto das razões sociais no internamento em Pediatria não é negligenciável quer do ponto de vista clínico quer económico. Uma reflexão multidisciplinar sobre a necessidade de maior apoio social na comunidade revela-se necessária, tendo por base os direitos da criança hospitalizada e o contexto socioeconómico actual.

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