Desenvolvimento psicomotor de grandes prematuros

  • Sofia Ferreira Serviço de Pediatria/Neonatologia, Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga
  • Natacha Fontes Serviço de Neonatologia, Departamento da Mulher, da Criança e do Jovem – Hospital Pedro Hispano, Unidade de Saúde Local de Matosinhos
  • Lia Rodrigues Serviço de Neonatologia, Departamento da Mulher, da Criança e do Jovem – Hospital Pedro Hispano, Unidade de Saúde Local de Matosinhos
  • Cláudia Gonçalves Unidade de Pediatria do Desenvolvimento, Serviço de Pediatria, Departamento da Mulher, da Criança e do Jovem – Hospital Pedro Hispano, Unidade de Saúde Local de Matosinhos
  • Maria Manuel Lopes Unidade de Pediatria do Desenvolvimento, Serviço de Pediatria, Departamento da Mulher, da Criança e do Jovem – Hospital Pedro Hispano, Unidade de Saúde Local de Matosinhos
  • Nádia Rodrigues Unidade de Pediatria do Desenvolvimento, Serviço de Pediatria, Departamento da Mulher, da Criança e do Jovem – Hospital Pedro Hispano, Unidade de Saúde Local de Matosinhos

Abstract

Introdução: Nas últimas décadas, a melhoria dos cuidados de saúde perinatais, refletiu-se numa significativa diminuição da mortalidade associada à prematuridade. No entanto, esta diminuição não se acompanhou de forma proporcional da redução de morbilidade, particularmente a nível do neurodesenvolvimento.

Objectivos: Avaliar o desenvolvimento psicomotor (DPM) de grandes prematuros, identificar perturbações do neurodesenvolvimento, analisar possíveis associações entre as variáveis perinatais e o DPM.

Métodos: Estudo retrospetivo, através da análise dos processos clínicos. Selecionadas as crianças nascidas num hospital central, entre 1997 e 2002, com idade gestacional inferior a 32 semanas, submetidas a avaliação do DPM até à idade escolar, segundo a Escala de Desenvolvimento Mental de Griffiths (Griffiths).

Resultados: Foram incluídas 67 crianças. Na primeira avaliação pela Griffiths (idade média: 29,7 meses), o quociente de desenvolvimento global (QDG) médio foi 95,9 (7,9% com QDG≤80), sendo as subescalas E (realização) e D (coordenação olho-mão) as menos cotadas. Na última avaliação (idade média: 65,8 meses), o QDG médio foi  100,5 (5,2% com QDG≤80), e a área menos cotada foi a F (raciocínio prático). As perturbações do neurodesenvolvimento mais frequentes foram a perturbação de hiperatividade e défice de atenção (31,3%), perturbação da linguagem (23,9%) e a perturbação de aprendizagem (22,4%). Não se verificaram associações entre a maioria das variáveis analisadas e o DPM.

Conclusão: Embora a maioria destas crianças apresente um desenvolvimento adequado, são notórias dificuldades específicas na área da realização e raciocínio prático e observa-se elevada percentagem de perturbações do neurodesenvolvimento. O seguimento estruturado desta população é determinante na definição de estratégias de intervenção eficazes.

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Author Biography

Sofia Ferreira, Serviço de Pediatria/Neonatologia, Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga

Interna complementar de Pediatria, 5º ano

Serviço de Pediatria/Neonatologia

Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga

Published
2014-02-07
Section
Original articles