Paliar: das origens ao conceito na actualidade

  • João M Videira Amaral

Abstract

Paliar, como se sabe, significa aliviar ou remediar. Daí a palavra paliativo, utilizada frequentemente fora do contexto técnico-científico (por exemplo: foi um paliativo...).

Lembro-me, a propósito do que era ensinado na faculdade onde me formei, há várias décadas, sobre o significado de tratamento paliativo, aproximando-se da ideia de tratamento sintomático: alívio dos sintomas que originam sofrimento ou mal-estar ao doente por comparação com a de tratamento etiológico, dirigido à causa do problema.

De facto, no sentido lato, as designações de paliativo e sintomático poderão ser consideradas sinónimas se nos reportarmos ao que é veiculado, quer nos dicionários clássicos da língua portuguesa, quer nos de termos técnicos.1

Falando-se hoje de cuidados paliativos, verifica-se que a terminologia anteriormente simplista foi retomada nos últimos anos, passando a consubstanciar uma nova cultura de humanização na prestação de cuidados compreendendo diversas vertentes, seguindo-se a uma fase inicial de terapêutica “clássica” culminando em fracasso.2

Neste contexto, importa referir que a evolução da medicina, contribuindo para melhorar o prognóstico de inúmeras doenças e incrementar a taxa de sobrevivência de crianças e adolescentes, veio a gerar paralelamente um grupo significativo de doentes portadores de doenças crónicas com sequelas graves, muitas vezes dependentes de tecnologia e requerendo paliação.3

Inicialmente os locais onde passaram a ser prestados cuidados paliativos, vocacionados especialmente para doentes oncológicos adultos, eram designados por Unidades de  Tratamento da Dor chamando-se a atenção para a importância do sintoma dor.4

Contudo, paliar não se resume ao tratamento da dor; exige também que se proceda à avaliação global da pessoa que sofre atendendo à sua complexidade: designadamente biológica,

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