Infecção Neonatal - Importância do Conhecimento da Epidemiologia Local

  • André Graça
  • Carlos Moniz
  • Luís Lito
  • Maria José Salgado
  • Maria Ofélia Guerreiro

Abstract

Introdução: Independentemente da idade gestacional, a infecção é uma importante causa de morbilidade e mortalidade no recém-nascido. O êxito da antibíolicoterapla empírica no recém-nascido depende não só da natureza da infecção, mas também do conhecimento actualizado da epidemiologia da respectiva unidade.
Objectivo: Conhecer a prevalência dos agentes responsáveis pela infecção dos recém-nascidos (R>J) internados na Unidade de Cuidados Especiais ao Rccém-Nascido (UCERN) do Hospital de Santa Maria (HSM) ao longo de um período de 5 anos (1998-2002).

Material e Métodos: Estudo retrospectivo de todos os agentes infecciosos isolados em crianças internadas na UCERN, durante o período do estudo, a partir da análise da base de dados informática do Laboratório de Microbiologia do HSM.

Resultados: Foram realizados 3168 exames culturais de produtos colhidos em crianças internadas na UCERN. A taxa de positividade do tocai dos exames foi de 11?1% (8% quando consideradas exclusivamente as hemoculturas). Os agentes mais frequentemente isolados foram o Staphylococcus epidermidis, o Staphylococcus aureus, a Klebsiella pneumoniae, a Escherichia coli e a Pseudomonas aeruginosa. Quando consideradas apenas as hemoculturas positivas, os agentes mais frequentemente isolados foram o Staphylococcus coagulase-negativo, a Escherichia coU e outras enterobacteriáceas. Na sepsis precoce predominaram a Escherichia coli e o Streptococcus do grupo B e na sepsis tardia e pós-neonatal foram mais frequentes os Staphylococcus coagulase-negativo e a Klebsiella. Nos catéteres centrais predominou o isolamento de Staphylococcus coagulase-negativo e nas Infecções superficiais o Staphylococcus aureus. Os estudos de sensibilidade aos antibióticos revelaram que a política de antibioticoterapia empírica seguida na Unidade é adequada.

Conclusões: Os resultados obtidos a partir deste estudo permitiram ter não só o conhecimento da realidade epidemiológica na Unidade, mas também a confirmação de que a política de antibioticoterapia empírica seguida é adequada. A existência de dados na literatura chamando à atenção para o aumento das resistências dos agentes envolvidos na infecção neonatal aos antibióticos habitualmente utilizados, toma imprescindível a realização de revisões epidemiológicas periódicas em todas as unidades de Neonatologia.

Palavras-Chave: Recém-nascido; Infecção; Epidemiologia; Sensibilidade aos antibióticos.

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